Meu momento

sexta-feira, 18 de julho de 2008


Hoje eu tenho uma sessão com minha Terapêuta.
Fico pensando no que vou falar. Não tenho idéia do que vou falar. A dor é tamanha que não consigo mais falar. Já me enchi de falar.
Já sei até qual será a sua primeira pergunta: "E então, Flávia, como está se sentindo?"
E já sei até o que vai acontecer: "Buuuáááááááá... Estou bem... Buuuáááááááá..."

Mas não estou. Só lá dentro de mim é que sei o quanto eu estou cansada. Não preciso de conselhos, preciso de colo, cafuné e um abraço. Ah, e um lugar onde eu possa chorar de verdade!

Na última sessão, ela me perguntou como foi minha infância. Eu não conseguia me lembrar da minha infância. Me lembrei do blog "Crônicas de Uma Menina Feliz da Nina". Queria ter lembranças da minha infância assim como ela. Não que tenha tido uma infância triste, mas sempre fui muito sozinha. Sou filha única de pais separados e criada com a avó. Caramba, vejo a minha história se repetindo na minha vida. O que diferencia é que tenho dois filhos, de pais separados e criados pela avó.

Acho que, quando criança, sofri de SAP¹ (Síndrome da Alienação Parental). Não me perguntem como cheguei à essa conclusão, mas quando sofremos "baques" como esse, o que mais procuramos é leitura, artigos, livros pra que possamos encontrar respostas sobre o que deu errado. E todos os aspectos que lia, parecia que estava falando comigo. Não só comigo, mas estava buscando também respostas para meus meninos e como fazê-los passar por isso com o mínimo de trauma possível.

Mas o mais engraçado é que eu procurava algo para tentar reatar o relacionamento, e o que mais encontrava era como ter uma boa separação. Será que é mais fácil escrever para ajudarem os casais a se separarem a ter que escrever o que pode ser feito para sobreviver a uma crise?

Nunca tive uma relação legal com meu pai. A história deles foi muito complicada pra mim. Lembro das raras vezes quando ia me visitar que eu me escondia debaixo da cama pra não vê-lo. Uma vez, ele demorou tanto ir embora que adormeci por lá. Minha avó estava desesperada me procurando, achando que eu tinha desaparecido, e de repente surge a própria, toda suada depois de horas ali embaixo.

Na verdade, acho que nunca o perdoei pelo que fez comigo e com minha mãe. Principalmente comigo. Só fui conseguir encará-lo de frente, olhar nos olhos dele, já tinha meus 20 anos. Hoje ele já se casou umas duas vezes e tem filhos (que são meus irmãos) que nunca conheci. E ele também nunca se esforçou pra nos unir. É nessas horas que vejo a importância dos pais na vida dos seus filhos.

Acho não, tenho certeza, de que a única coisa que fiz foi tentar fazer minha história e a de meus meninos, diferente. Se errei ou se acertei, não foi proposital. Mas acabei fazendo igual. A vida parace ciclos. Quem nunca teve a impressão de que se caminha, caminha, caminha, mas anda em círculos? Hoje me vejo assim. Andando em círculos, aturdida, esperando que alguma coisa aconteça e me tire desse devaneio profundo que me encontro.



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(¹) Síndrome de alienação parental (SAP), também conhecida pela sigla em inglês PAS, é o termo proposto por Richard Gardner em 1985 para a situação em que um dos dois pais de uma criança a treina para romper os laços afetivos com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao genitor que causa a situação (e não ao que é vítima dela).
Obtido em "
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_aliena%C3%A7%C3%A3o_parental"


 
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