Meu momento

quarta-feira, 20 de agosto de 2008


Ai que dor que não passa.

Só o teu silêncio que aumenta, as palavras que diminuem e um vale que nos separa.

Não tenho nada a te falar. Minhas palavras se esgotaram, pois tudo já foi falado. Minha voz não sai. Só as lágrimas que teimam em cair.

Só me abraça? Se quiser fingir por 5 minutos, que faça, mas pelo menos nesse tempo curto, mostre que eu fui importante na sua vida e que fiz alguma diferença nela.

Canção na plenitude

Lya Luft
Não tenho mais os olhos de menina

Nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou.

Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardosbons ou ruins.(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudoo que perdi: dou-te os meus ganhos.

A maturidade que consegue rirquando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.

Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciênciae não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força — que vem do aprendizado.

Isso posso te dar: um mar antigo e confiávelcujas marés — mesmo se fogem — retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços mas o sonho interminável das sereias.

O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.
 
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