Meu momento

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Drummond sempre Drummond

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompestee
Sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
De viver e explorar os rumos de obscuridade
Sem prazo, sem consulta, sem provocação
Até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
Do que o ato sem continuação, o ato em si,
O ato que não ousamos nem sabemos ousar
Porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
Simples apertar de mãos, nem isso,
Voz modulando sílabas conhecidas e banais
Que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizesteo não previsto nas leis da amizade
E da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar
Porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummond de Andrade
Sinto que as coisas começam a entrar nos eixos. O tempo pra mim, apesar de ter me maltratado muito nos últimos meses, mas também me ajudou a curar algumas feridas abertas. Cada dia que passa, me sinto melhor e mais renovada.

Apesar de ter dias que, assim que acordo, olho pela janela e um raio de luz teima a entrar pela fresta. E ao mesmo tempo, eu teimo a me esconder. Finjo que não é comigo, que não estou alí... Aí penso: Tudo que queria era poder ficar quietinha!

Mal termino meu pensamento, outra coisinha teimosinha e chorosa, acorda me olhando e esticando as mãozinhas pra deitar comigo na minha cama. Me escondo, me cubro, fico imóvel, mas não tem jeito. Ele sabe que estou alí. Garoto esperto... Puxou a mãe!!! Falo pra ele: Só mais 5 minutinhos??? O que pra mim seria um alívio, pra ele seria uma eternidade. E acabo me rendendo àqueles olhinhos daquele gatinho. O outro, só se joga caindo em cima de mim. Agora me falem, como fazer caber 3 pessoas em uma cama de solteiro? Nessa hora me divirto pra caramba.

Eu não sei se sinto falta daquela pessoa ou se sinto falta da minha vida. Tinha uma vida maravilhosa! Tenho essa confusão na minha mente. Até mesmo porque, uma coisa não descarta a outra porque ele fazia parte da minha vida.

Mas tenho plena consciência de que precisei perder tudo o que eu tinha pra dar valor. Não é assim o que geralmente acontece com os seres humanos? E como hoje eu dou valor!!! Até mesmo porque, antes eu tinha a casa que era a minha casa, os móveis eram meus móveis, o quarto era meu quarto. E hoje, o que eu tenho?

Voltei a morar na casa da minha mãe (argh!!!) que é a casa da minha mãe, há muito tempo deixou de ser minha também, durmo com meu pequenos no meu antigo quarto que já não é mais só meu quarto, é muito mais deles do que meu, porque o que mais tem lá são brinquedos, não tenho mais cama porque durmo na cama de baixo do meu filhote... Tá ruim? Tá apertadinho? com certeza, mas quando vejo minha vida e me comparo a outras pessoas, tem gente que não tem nem onde morar, então eu sossego o coração.

Acho que são essas dificuldades é que me fizeram sofrer mais e mais. É saber e ver tudo que estou passando e não ter tido escolha. Não me perguntaram o que faria da minha vida pós-separada, não me perguntaram o que eu achava disso, nunca conversamos sequer numa possibilidade disso acontecer. Apenas tive de aceitar e me resignar!
 
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