Não sei o que me deu de ontem pra hoje.Sabe aquele menino que eu não quero que cresça? Ele tá crescendo, tá batendo asas e procurando vôos mais longos.
Ele foi ontem passar esta última semana de férias na casa do pai em Brasília. Nem preciso dizer o quanto estou mal.
É ruim hoje, chegar em casa e não ter mais aquele sorrisão me esperando e antes de me dar o primeiro beijo já pergunta: "Mamãe, posso jogar vídeo game?" Afff... filhos...
Mas de qualquer forma, sinto a falta dele no quarto, das suas gargalhadas, do seu cheiro, sinto falta de te dar meu colo, sinto falta de contar histórias antes de dormir, sinto falta de te ensinar a rezar. Sinto falta de você, meu menino!
Ontem eu cheguei em casa, ela vazia, aquele silêncio só quebrado pelo meu outro filhote que ficou. O engraçado é que ele também sente do irmão. Ele apontava pra sala e dizia: "Neném."Eu aqui quase morrendo e ele nem deve estar se lembrando que a mãe dele existe. Ele deve ter lapsos de memória tipo: Ah... minha mãe existe, mas vamos brincar?
Como mãe sofre!!! Meu Deus!!!
Mas a saudade que sinto se mistura aos pensamentos da família, das lembranças que teimam rondar minha mente sobre mim, da minha casa, dos passeios em família, dos nossos momentos quando sentávamos no chão da sala e brincávamos nós três, e que hoje poderíamos ser nós quatro, e já não somos mais nenhum. Agora é ele. Agora sou eu.
Na verdade, me bateu a maior sessão nostalgia do mundo. Me peguei novamente com pensamentos de passado, do que foi, do que poderia ter sido...
Vidas repartidas, divididas, quebradas ao meio.

É difícil entender o que aconteceu! Olho pra tudo que vivi e não vejo onde nos perdemos! E como tudo passou pra ele assim tão rápido, como se nem tivesse existido na vida dele.
E vejo a "felicidade" batendo na minha cara! Dizendo; "Olha eu aqui, sua burra."
Tento me convencer a qualquer custo, ressaltar as qualidades... "até que a felicidade é legal, bonita, simpática, tá cheio de boas intenções (já fala até em casamento...), tem olhos verdes (ui...), mas não fez meu coração acelerar, não me fez perder o fôlego.
Mas será que dei chance pra que isso acontecesse também? Será que eu estou me dando essa chance? Mas será que eu me forçando a isso não estaria passando por cima de mim mesma? Me atropelando como um caminhão desgovernado?
E mais. Será que depois de tudo isso que vivemos, ainda há espaço para o amor? Conseguimos amar mais de uma vez? Ou existe apenas um amor e o resto são variações sobre o mesmo tema? Confesso que ando um tanto quanto descrente em relação à isso.
Dúvidas, dúvidas, dúvidas e nenhuma resposta.
Da mesma forma com que sofri e ainda sofro, tenho muito medo de fazê-la sofrer também, o que não seria justo nem comigo, e nem mesmo com essa tal "felicidade".
Mas ainda espero pelo dia em que poderei trocar o nome da minha casa de "me separei... e agora?" para "me separei... e daí?"