Meu momento

segunda-feira, 8 de setembro de 2008


Hoje eu resolvi exorcizar todos os meus fantasmas.
Resolvi limpar meu templo, meu quarto que já não é mais meu quarto, meu armário...

Quanta bagunça, quanta sujeira, tanta coisa guardada...
Sabe aquelas cartas, fotografias que ficavam sempre ali, tanto à vista quanto à mão?

As cartas? Eu queimei. As fotos? Eu guardei bem longe do alcance dos olhos e das mãos e algumas, deletei.

Aliás, existe um ditado que diz: o que os olhos não vêem, o coração não sente. Será???
Deletei da minha memória RAM, fiz um Upgrade nas emoções e nos sentimentos.
Abri mais espaço no meu HD que estava cheio de lembranças boas, porém inúteis.

Por alguns instantes, eu hesitei.
Não foi fácil abandonar e esquecer um passado repleto de coisas boas, mesmo sabendo que é por esse passado que hoje sofro tanto.
E se hoje ele me faz sofrer, deve ser porque não foi tão bom assim quanto imaginei.

Aceitar o presente também não é tão fácil.
Sentir minha privacidade invadida por "estranhas" pessoas que surgiram do nada, e que essas mesmas pessoas estão rindo e debochando dos seus sentimentos, sem o mínimo respeito, e ver esse passado tão presente e com dia e hora marcada, não será nada fácil.

Por algum momento me senti vazia. Afinal, foram 6 anos que existiram ou não?
Pensando bem, acho que não existiu. Ou se existiu, não foi tão importante assim.
Não daquela forma com que vivi e sonhei. Sonhei sonhos para os próximos 50 anos, e não vai ser tão fácil assim de esquecer. Desculpe não ter conseguido esquecê-lo nos 5 minutos posterior ao seu comunicado e nem nos 14 meses que seguintes. Mas eu tentei!

E tudo que pedi foi: tente, não por mim, mas por esses sonhos que eram muitos, que eram grandes e que eram únicos.

Ah, alguns meses atrás, esqueci de te avisar que eu te amo, que ano que vem tiraremos férias, que estamos precisando economizar mais, que precisamos sair mas só nós dois, mas se eu esquecer de falar, não esqueça você que eu te amo.

Aliás, você esqueceu de me avisar que seu amor acabou, que não estava tão feliz assim quanto imaginei, que as férias foram canceladas, que não fui tão importante assim na sua vida quanto imaginei e que todos os sonhos acabaram.

Mas porque não posso te deletar da minha vida?

Tudo bem. Eu supero... sozinha.
Tudo bem. Eu engulo... sozinha.
Tudo bem. Eu suporto... sozinha.

As feridas cicatrizam, mas marcas ficam, os sonhos recomeçam, a vida segue pra algum lugar. E assim, a cada dia, eu dou um passo para o amanhã.
 
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